Poucos setores refletem de forma tão concreta o desenvolvimento de uma sociedade quanto a construção civil. Ela materializa o que projetamos para as cidades e ajuda a atender às necessidades de espaços para moradia, trabalho e convivência.
Essa relevância traz um desafio proporcional: a construção está entre os maiores consumidores de recursos naturais e responde por cerca de 34% das emissões de CO₂, o que a posiciona no centro das discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, resiliência e adaptação das cidades. Por isso, o setor precisa evoluir sem comprometer sua função essencial de viabilizar o crescimento urbano com conforto, saúde e bem-estar.
A incorporação de critérios de resiliência urbana, como proteção contra ilhas de calor, gestão inteligente da água, desempenho térmico, uso de materiais de baixo impacto e desenho urbano adaptativo, passa a ser central no planejamento e na execução de obras. Isso se conecta diretamente com os desafios apresentados no Action Paper da Saint-Gobain, plano de ação global que propõe uma evolução da cadeia da construção para enfrentar eventos extremos cada vez mais frequentes, como ondas de calor severas, longos períodos de seca, chuvas intensas e enchentes. Acesse o Action Paper aqui.

Essa evolução envolve mudanças em materiais, processos e capacitação de mão de obra. Exige também – e talvez antes de tudo – uma mudança na forma como o valor é percebido. Construções mais leves, eficientes e resilientes se destacam pelo que entregam ao longo do tempo, seja pela eficiência operacional, durabilidade, conforto ou adaptação às condições climáticas intensas, realidade que já se impõe no Brasil e no mundo. Ambientes preparados para essas variações reduzem perdas econômicas, ampliam a segurança da população e aumentam a vida útil dos ativos urbanos. Quando tudo isso entra na conta, o ganho não está só na obra, mas na confiança para quem investe, executa e utiliza esses espaços.
Sustentabilidade, então, deixa de ser apenas mitigação de impactos e passa a orientar decisões de projeto, operação e investimento. O que chamamos de construção leve e sustentável (e que acreditamos ser o único futuro para o setor) combina inovação, eficiência, segurança do investimento e geração de valor ao longo do ciclo de vida, favorecendo a viabilidade econômica dos empreendimentos e gerando impactos positivos para o mercado e a sociedade. Somam-se a isso pilares essenciais apontados pelo Action Paper, como a redução do uso de recursos naturais, a priorização de materiais de baixa emissão, a eficiência energética das edificações, a promoção da economia circular e a criação de ambientes mais saudáveis e confortáveis.
O gap entre potencial e realidade no Brasil
Sistemas industrializados, como drywall, são exemplos de soluções que entregam essas características. E embora o Brasil ainda precise de cerca de 6,9 milhões de novas moradias até o ano de 2033, essas soluções ainda não estão amplamente disseminadas: em 2025, a presença desse método construtivo no país era de 0,72m² por habitante, enquanto nos Estados Unidos já era de 8,2; no Chile de 3,6; e na Argentina de 1,4.
A baixa adoção de tecnologias construtivas mais resilientes também limita a capacidade das cidades brasileiras de enfrentar extremos climáticos, ampliando custos sociais, ambientais e econômicos. Para mudar esse cenário, os desafios apontados pelo Action Paper são claros:
• Acelerar a industrialização da construção, reduzindo desperdícios e melhorando o desempenho;
• Ampliar o uso de materiais que aumentem a eficiência energética e o conforto térmico;
• Adotar soluções que reduzam vulnerabilidades a enchentes, calor extremo e escassez hídrica;
• Fortalecer normativos e políticas públicas que incentivem projetos urbanos resilientes.
Para que esse movimento ganhe escala, é fundamental avançar em políticas públicas de incentivo, linhas de crédito especiais e incentivos fiscais, além de fortalecer parcerias entre empresas, governo e instituições, criando condições para que sustentabilidade, resiliência urbana e retorno financeiro se reforcem mutuamente.
Conhecimento para destravar o avanço do setor
O avanço da construção sustentável ainda esbarra em limitações, especialmente relacionadas à falta de informação e dados qualificados. O Observatório da Construção Sustentável cumpre papel importante ao reunir, em escala global, a percepção de profissionais e cidadãos sobre sustentabilidade na construção, evidenciando diferenças entre países, níveis de desenvolvimento e necessidades do setor.Ao transformar esses dados em conhecimento acessível, a iniciativa contribui para decisões mais consistentes e conectadas à realidade social e econômica. Sobretudo, fornece insumos essenciais para orientar políticas e práticas de adaptação climática, eficiência material e planejamento urbano resiliente. Para explorar insights e acompanhar essa transformação, acesse o Observatório da Construção Sustentável.

